Me senti (ainda me sinto) como se eu estivesse oca e a única coisa que me restou foi o suspiro.
Acho que preciso deixar de fazer a vontade alheia e ser quem verdadeiramente sou. Às vezes me sinto como uma lagarta dentro do cásulo pronta para a metamorfose mas, algo (alguém) impede.
A cada ano que passa fico mais cansada mas não é o cansaço físico, pra falar a verdade antes fosse, o que me refiro é o cansaço emocional.
Aquele no qual me toma e impede que eu veja as coisas boas da vida, e faz com que eu me torne esse ser chato que sou. Para os que convivem comigo pode ser estupefato ler isso, mas ninguém sabe o que há por trás de um singelo sorriso. É, mais eu sei!
Deixo-vos com um poema de Florbela Espanca que fala claramente como me sinto.
Lágrimas Ocultas
Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida…
E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!
E fico, pensativa, olhando o vago…
Tomo a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim…
E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!
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